Mato Grosso projeta salto em florestas plantadas para sustentar indústria de biomassa

O Governo de Mato Grosso oficializou o plano estratégico de expandir as florestas comerciais dos atuais 200 mil para 700 mil hectares até 2040. A medida responde diretamente ao crescimento das usinas de etanol de milho, cuja demanda por biomassa térmica já pressiona a oferta atual de madeira no estado.
O cenário atual:
A Secretaria de Meio Ambiente (Sema-MT) avalia que a biomassa oriunda de supressão vegetal legal não será suficiente para sustentar o parque industrial a longo prazo. O plano busca migrar o suprimento para florestas plantadas, visando evitar gargalos energéticos e reduzir riscos jurídicos e ambientais.
Os dois lados da estratégia:
Perspectivas: A iniciativa pode acelerar a descarbonização do setor e dar maior segurança operacional às indústrias, além de promover o uso produtivo de áreas degradadas. Isso fortalece o selo de sustentabilidade do etanol de milho para exportação.
Gargalos: O setor enfrenta desafios estruturais. Há um "hiato" temporal — o tempo de crescimento da árvore — que mantém a pressão sobre o mercado de biomassa no curto prazo. Além disso, a transição exige alto investimento em logística e a adesão de produtores a uma cultura de ciclo longo (como o eucalipto), que concorre com a liquidez imediata dos grãos.
A transição para a silvicultura industrial é vista pelo governo do MT como essencial para a viabilidade estratégica do estado, mas o sucesso do plano depende da velocidade com que novos plantios saiam do papel diante da fiscalização crescente sobre a origem da matéria-prima florestal.
Fonte: Floresta Brasil