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Economia

Maior ferrovia em construção no Brasil avança 1 km por dia em Mato Grosso

Publicado em 23 de Abril de 2026 ás 09:24

Com R$ 5 bilhões investidos e trilhos avançando 1 quilômetro por dia, a maior ferrovia em construção no Brasil já completou 73% dos 743 quilômetros que vão ligar o coração do agro aos portos de exportação

Enquanto o Brasil ainda discute há décadas se constrói ou não o trem-bala entre São Paulo e Rio, uma ferrovia em Mato Grosso de 743 quilômetros já está 73% pronta — e os trilhos avançam 1 quilômetro por dia.

A Ferrovia de Mato Grosso (FTM), operada pela Rumo Logística, é hoje a maior obra ferroviária em andamento no país. Além disso, o projeto recebeu R$ 5 bilhões em investimentos e promete começar a operar o primeiro trecho de 162 quilômetros entre julho e setembro de 2026.

Na prática, essa ferrovia em Mato Grosso vai conectar o maior estado produtor de soja e milho do Brasil diretamente aos corredores de exportação — eliminando milhares de caminhões das rodovias.

Os números da maior ferrovia em construção no Brasil

A escala do projeto impressiona. Por exemplo, os 743 quilômetros de extensão equivalem à distância entre São Paulo e Curitiba — tudo em linha reta cortando o cerrado mato-grossense.

  • Extensão total: 743 km (partindo de Rondonópolis rumo à BR-070)

  • Investimento: R$ 5 bilhões (R$ 2 bilhões já aplicados + R$ 1 bilhão em 2026)

  • Execução física: 73% concluída

  • Ritmo de avanço: 1 quilômetro de trilhos por dia

  • Primeiro trecho operacional: 162 km (previsão jul-set 2026)

  • Início das obras: 2022

  • Operadora: Rumo Logística

Dessa forma, a ferrovia em Mato Grosso se tornou a prioridade número um da infraestrutura ferroviária do país — à frente da FICO e da Ferrogrão, que ainda estão em fases iniciais.

Por que o agronegócio depende da ferrovia em Mato Grosso

Mato Grosso é o maior produtor de soja, milho e algodão do Brasil. Contudo, cerca de 60% da produção ainda sai do estado por rodovias — o modal mais caro e ineficiente para cargas pesadas de longa distância.

Consequentemente, o custo do frete corrói a margem dos produtores e encarece o produto final no mercado internacional.

ferrovia em Mato Grosso ataca esse problema diretamente. Ao conectar Rondonópolis — onde já existe um mega terminal ferroviário — aos novos trechos rumo à BR-070, a FTM abre caminho para que milhões de toneladas de grãos cheguem a portos como Santos, Paranaguá e o Arco Norte por trilho.

Para ter uma ideia do impacto, cinco municípios ao redor de Gaúcha do Norte, no centro do estado, produzem juntos 5 milhões de toneladas de grãos por ano. Atualmente, tudo isso sai em caminhão. Com a ferrovia, o custo cai e a competitividade sobe.

Esse cenário lembra o contraste com outros países que investem pesado em infraestrutura, como a Índia, que está asfaltando 1.350 quilômetros de rodovia com 8 faixas para acelerar sua economia.

O que o CEO da Rumo diz sobre a ferrovia em Mato Grosso

Pedro Palma, CEO da Rumo Logística, confirmou que o primeiro trecho operacional da ferrovia deve inaugurar até setembro de 2026.

Em suas palavras: “A ferrovia em Mato Grosso terá sua primeira operação até setembro deste ano. Tínhamos investido R$ 2 bilhões nessa nova ferrovia. Esse ano, agora 2026, vamos fazer aplicação de mais R$ 1 bilhão, fechando um pacote de investimento nesse primeiro trecho de 162 km de aproximadamente R$ 5 bilhões.”

Além disso, a Rumo planeja investir até R$ 6,1 bilhões em 2026 no total de suas operações, com a FTM como peça central da estratégia de expansão.

O BNDES já aprovou R$ 2 bilhões especificamente para a construção dos 162 quilômetros do primeiro trecho, segundo relatório oficial do BNDES.
 

A FICO — a outra ferrovia que vai encontrar a FTM

A FTM não está sozinha. Além dela, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) avança em paralelo com 888 quilômetros de extensão, conectando Mara Rosa (GO) a Lucas do Rio Verde (MT).

Entretanto, a FICO está em estágio bem menos avançado — apenas 22,5% de execução física geral, com o trecho executado pela Vale atingindo 36%.

O canteiro de obras da FICO em Água Boa (MT) deve abrir no segundo semestre de 2026. Porém, a entrega do primeiro trecho de 383 quilômetros só está prevista para 2027.

Ao mesmo tempo, a Vale mobiliza cerca de 1.000 trabalhadores na construção, incluindo a ponte sobre o Rio das Mortes em Cocalinho.

Quando FTM e FICO estiverem prontas, formarão um corredor ferroviário contínuo que vai da Ferrovia Norte-Sul (GO) até o interior de Mato Grosso — transformando a logística do agro brasileiro.

A Ferrogrão: a peça que falta no quebra-cabeça

Além da FTM e da FICO, existe ainda a Ferrogrão — um projeto de ferrovia de Sinop (MT) até Miritituba (PA) que cortaria 933 quilômetros pelo coração da Amazônia.

No entanto, a Ferrogrão enfrenta obstáculos ambientais e regulatórios que travam o projeto há anos. Da mesma forma, questões de titularidade de terras e consultas a comunidades indígenas adiam a construção indefinidamente.

Enquanto a Ferrogrão espera, a ferrovia em Mato Grosso avança 1 quilômetro por dia. Em comparação, o trem-bala da Califórnia levou 15 anos para completar 130 quilômetros.

Para os produtores rurais de Mato Grosso, a pergunta não é se a ferrovia vai mudar a economia do estado — mas se os demais projetos ferroviários vão conseguir acompanhar o ritmo da FTM antes que a próxima safra recorde precise de ainda mais vagões.

O que pode atrasar a ferrovia em Mato Grosso — e o que já atrasou

Apesar do avanço de 73%, a ferrovia em Mato Grosso não está livre de riscos.

De acordo com a CNN Brasil, discussões regulatórias, licenciamento ambiental e modelos operacionais ainda estão em andamento para os trechos seguintes.

Além disso, a extensão completa de 743 quilômetros pode levar até 2030 para ficar pronta. Em outras palavras, o que opera em setembro de 2026 são os primeiros 162 quilômetros — importante, mas ainda 22% do projeto total.

Mesmo assim, para um país que historicamente abandona obras ferroviárias no meio do caminho, ver trilhos avançando 1 quilômetro por dia no cerrado de Mato Grosso é algo que não acontecia há décadas.

 

Fonte: CNN Brasil/Rumo

 

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